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domingo, 30 de março de 2008

31 de Março de 1964, o dia da quartelada


Video: Fuga de Jango em 31 de março de 1964

No dia 31 de Março de 1964, aconteceu em nossa terra, uma tragicômica quartelada, que iria colocar o Brasil nas mãos sujas dos gorilas militares, permitindo que eles fizessem o que bem entendessem no território brasileiro, e contra todo o seu povo.

Desde o início dos anos 50, quando houve a eleição democrática de Getúlio Vargas, derrotando o brigadeiro Eduardo Gomes, que as elites brasileiras estavam tentando implantar no País um governo que as favorecesse.

Com o suicídio de Vargas em agosto de 1954, depois de muita confusão, tivemos a conturbada posse do vice-presidente Café Filho na presidência.

Logo após, o povo elegeu Juscelino Kubitchek, que iria fazer 50 anos em 5, e havia derrotado o candidato das elites, o general Juarez Távora.

Tentaram derrubar o Juscelino do poder, iniciando uma quartelada na selvas amazônicas, em Jacareacanga e Aragarças, lá pelo lado do Pará.

Mas o negócio era muito louco, e não deu certo.

Por fim, em 1960, as nossas elites conseguiram eleger o seu representante para a presidência do País, um maluco chamado Jânio Quadros, o homem que iria “varrer” a corrupção do Brasil.

Por motivos claros, e segundo o mesmo, "pressionado por forças ocultas", o referido artista resolveu largar a presidância seis meses depois de eleito. Antes de entrar no navio que iria levá-lo para um exílio etílico na terra do wiskey, o ainda presidente Jânio Quadros, lucidamente , assinou uns decretos que favoreciam as multinacionais.

O vice-presidente eleito João Goulart, que personificava as classes trabalhadoras , não pode ser empossado, porque os militares, que representavam as elites, não queriam.

Assim sendo, foi adotado o regime parlamentarista no Brasil.

Tempos depois, com o País voltando ao presidencialismo, João Goulart tomou posse. Mesmo sendo um grande proprietário de terras, ele assumiu um compromisso com as forças progressistas da nossa sociedade, de levar avante todas as reformas de base.

No entanto, a sua visão política era muito limitada, e, ao invés de isolar os conservadores dentro de suas próprias contradições, o que fez foi unir todos eles contra sí.

João Goulart foi um dos políticos mais frágeis que o Brasil já teve, conciliador sem nunca conseguir conciliar nada, fraco nas articulações políticas, e um reformista que não soube conduzir reforma nenhuma.

Ele lutou pela reforma agrária e urbana, pela nacionalização do sistema bancário, não executou nenhuma política de achatamento salarial, e fez com que o Congresso Nacional aprovasse a lei que limitava a remessa de lucros para o exterior.

Mas tudo isto foi feito atabalhoadamente, e ao invés de unir as forças políticas em torno de si, conseguiu distanciá-las.

O capitalismo nacional, que estava surgindo, se uniu ao capitalismo internacional. Pelo temor que Goulart provocava, os empresários do campo se uniram aos da cidade.

E para completar o festival de inconpetência, rompeu com a hieraquia militar, comparecendo a um comício no Rio de Janeiro, patrocinado pelos sargentos.

Depois disto tudo, em 31 de março de 1964, aconteceu a quartelada, um golpe militar arquitetado e tramado pelas elites brasileiras, gerenciada pelo embaixador americano Lincoln Gordon. com o qual eu não tenho nenhum parentêsco.

Como era unanimidade entre os militares, não foi necessário que se disparasse qualquer tiro, mas aconteceram alguns lances cômicos e rocambolescos.

No Rio de Janeiro, o filho de uma tradicional família de milicos, capitão na época, saiu da Vila Militar, cruzou a cidade a bordo de um potente tanque usado na Segunda Guerra mundial pelos USA, e foi estacioná-lo no palácio Guanabara, residência do governador golpista Carlos Lacerda, para defendê-lo de uma possível invasão que os fuzileiros navais, supostamente aliados de Goulart, iriam fazer, desembarcando na praia de Botafogo, vindos da cidade de Niterói.

Na praia de Copacabana, Posto Seis, o coronel do exército, conhecido por Montanha, depois de tomar alguns chopps no bar que fica ao lado do Forte Copacabana, acompanhado de alguns outros bêbados, resolveu invadir a fortaleza militar. Adentrando de peito aberto pela guarita, mostrou a sua carteira, tomou o fuzil do guarda, e determinou que a partir daquele momento o forte estava sob seu comando.

Os oficiais do forte estavam tomando banho, pois tinham acabado de jogar o habitual e cansativo vôlei nas areias da praia de Copacabana, que ainda era a princesinha do mar.

Ao mesmo tempo, partia de Minas Gerais, em ritmo de piquenique cívico, um grande comboio militar, comandado por alguns generais, que estavam a serviço do banqueiro Magalhães Pinto, governador do estado.

Dias depois, eles iriam se confraternizar num grande churrasco na cidade de Petrópolis, com as tropas do 1º exército, sediadas no Rio de Janeiro, supostamente leais ao presidente.

O grande “amigo” de João Goulart, General Amauri Kruel, tinha o comando do 2º exército. Alí estava o ponto mais importante do mapa militar barsileiro. Mas depois de umas conversinhas de bastidores, o referido general mudou de casaca, e colocou a sua tropa a serviço do embaixador Lincoln Gordon.

No sul, o histerismo inútil de Brizola, sempre foi de grande valia para a queda do presidente legalmente constituído. O grande caudilho nunca se deu conta naquela época, que já tinha passado o tempo em que o sujeito podia sair lá do sul, e amarrar o cavalo em algum monumento no sudoeste brasileiro.

Assim sendo, atolados nos seus erros de avaliação política, Goulart, Brizola, Arraes e todos os outros que defendiam as reformas de base na sociedade brasileira, foram obrigados a deixar o país, e entregá-lo nas mãos dos militares, que iriam dar início a era da tortura, da corrupção sem limites, do endividamento externo e interno, e da obra mais satânica da quartelada de 1964, que foi despolitizar toda uma geração, transformando os nossos jovens em almas sem nenhuma emoção cívica.

Toda esta podridão moral que vemos hoje em dia neste País, devemos a esta tragicômica quartelada de 31 de março de 1964.


O autor, Wilson Gordon Parker, é escritor

sábado, 29 de março de 2008

PESQUISA IBOPE DO GOVERNO LULA


Video: Cotidiano - Os números não mentem

"A aprovação ao governo Lula é mais alta que a registrada em março de 2005: 58%, segundo pesquisa do Ibope."

Publicado no ESTADO DE SÃO PAULO - 30 de Março de 2008

Comentário sobre a notícia:

Não acho nenhum absurdo o resultado da pesquisa do IBOPE quando ela nos diz que esta é a melhor avaliação do governo Lula desde 2003.

Os verdadeiros vilões da política brasileira são os políticos que se elegem, em sua maioria, oferecendo favores ao eleitor. O cidadão aceita esse "agrado" e oferece o seu voto. No fundo, o eleitor que vende o seu voto guarda uma profunda mágoa do seu corruptor.

Senadores e deputados trabalham no máximo 3 dias por semana, quando trabalham. O povo sabe que eles ganham muito bem, e tem inúmeras vantagens.

O que mais o cidadão vê na mídia são imagens do plenário do Congresso Nacional completamente vazio. Escãndalos, mensaleiros, roubalheiras, trocas de partido, chantagens para ganhar dinheiro na votação dos projetos, enfim, o eleitor percebe que os políticos que os enganaram com falsas promessas, ou compraram o seu voto com dinheiro, ou favores, fazem parte de uma verdadeira quadrilha de vigartistas e oportunistas.

E o Lula, muito observador, sabe como ninguém qual é o momento certo de tirar proveito de toda essa falta de vergonha da classe política. É a hora em que ele resolve enfrentar os senadores e os deputados, afrontando e desmoralizando os parlamentares que já estão desmoralizados há muito tempo perante a opinião pública.
Nesse cenário, uma grande parte do povo tem uma percepção muito própria sobre quem é quem no Brasil. É o momento em que o Lula aparece como o único salvador da Pátria que está disponível em terras brasileiras.

Sendo assim, uma gramde parte do povo tem a idéia distorcida de que o Lula é o único político que dá as coisas e não pede nada em troca. Estão aí o bolsa-familia, o PAC, e tantos outros pequenos agrados sociais distribuidos entre as classes menos favorecidas.

Pelo jeito que vão as coisas, se o Lula me indicar para presidente em 2010, eu serei eleito.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)


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Jornal do Brasil, 28 de março de 2008

Pesquisa CNI/Ibope informa que 58% dos entrevistados consideram ótimo ou bom o governo do presidente Lula. Só 11% acham péssimo ou ruim. É a melhor avaliação desde a posse do presidente, em 2003. (Págs. 1 e A3)

O GLOBO, 28 de março de 2008
A aprovação ao governo Lula é mais alta que a registrada em março de 2005: 58%, segundo pesquisa do Ibope. A taxa de desemprego ficou em 8,7% em fevereiro e cresceu o número de trabalhadores com carteira assinada. (Págs. 1, 8 e 30)

GAZETA MERCANTIL, 28 de março de 2008

Embalado pelos resultados de recordista olímpico em nova pesquisa de popularidade, o presidente Lula da Silva saudou ontem os empresários participantes do Fórum Brasil México com um de seus mais animados pronunciamentos. Segundo levantamento do Ibope, o governo Lula teve sua melhor avaliação desde 2003: 58% de ótimo e bom. O presidente começou seu discurso aos empresários explicando que confundiu o mexicano Ricardo Salinas com o ex-presidente daquele país, Salinas de Gortari. Logo depois brincou com a crise nos Estados Unidos. "Eu disse: Bush, meu filho, nós passamos mais de 26 anos sem poder crescer economicamente, logo agora vem essa crise para atrapalhar? Nada temos com isso." (págs. 1 e A13)

SERGIO MAQUIAVEL CABRAL


Foto de SERGIO MAQUIAVEL CABRAL

Publicado no JORNAL DO BRASIL em 28 de março de 2008

Publicado no O GLOBO em 31 de março de 2008

Cometário sobre a notícia:

O historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento, Niccolò di Bernardo dei Machiavelli, mais conhecido como Maquiável, reencarnou na semana Santa, no corpo e alma do político carioca, Sergio Cabral. Maquiavel teve o seu pensamento históricamente muito mal interpretado, e através dos séculos continua sendo, erroneamente, sinônimo de esperteza e astúcia.

Ele jamais poderia imaginar que no Brasil fosse surgir o herdeiro mais fantástico do seu estigma. A manha ardilosa e sutil do governador do Rio de Janeiro, aliando-se ao Lula, e nocauteando o ex-futuro-candidato a prefeito do seu partido PMDB, Eduardo Paes, em favor do petista Alessandro Molon, confere ao mesmo o título de Principe do maquiavelismo brasileiro.

Sergio Maquiavel Cabral é o novo espertalhão da política nacional. Até o prefeito invisível, Cesar Maia, saiu da sua toca virtual, e ressurgiu com uma cara de extra-terrestre depois de uma longa viagem interplanetária.

Todos esses fatos que aconteceram, e os que vão acontecer, irão transformar a história da malandragem política no Brasil.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)

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O Globo EDIÇÃO DO DIA 27 de março de 2008.


O que mudou

GANHAM

LULA

O presidente passa a ter três palanques no Rio (de Molon, Crivella e Jandira) e consolida a aliança com Sérgio Cabral e o PMDB.

SÉRGIO CABRAL

O governador fortalece o acordo com Lula ao unir o governo federal
e o estadual em torno de uma candidatura a prefeito na capital que surpreendeu o
quadro eleitoral. Também evita a aliança de parte de seu partido no Rio, à frente Jorge Picciani, com o DEM de Cesar Maia. Passa a ter mais controle sobre o PMDB no estado, isolando o ex-governador Garotinho.

JORGE PICCIANI

Fica mais próximo de Cabral e da máquina do governo do estado. Ganha mais espaço no PMDB do Rio. Terá em Molon um aliado para tentar livrar-se da pecha de político de práticas questionáveis.

MOLON

Deputado de segundo mandato, e apenas 36 anos de idade, o petista disputará sua primeira eleição para o Executivo com o apoio de dois fortíssimos cabos eleitorais, Lula e Cabral. Com a aliança com o PMDB, fica com muito mais tempo de TV. Por causa da aliança com Cabral, terá mais força para atrair Lula a seu palanque do que Crivella. Será muito cobrado ao longo da campanha, porém, pela aliança com Picciani, que sempre combateu.

PERDEM E GANHAM

CRIVELLA

O senador ligado à Igreja Universal do Reino de Deus já tem o voto dos evangélicos, cerca de 20%, mas precisa do eleitorado de Lula, que vai votar pelas realizações do governo, como o PAC e o Bolsa Família. Mas, por outro lado, ganha pelo fato de Molon ter que disputar o voto da Zona Sul e da esquerda com Gabeira, Jandira e Chico Alencar.

GABEIRA

Na medida em que a entrada do deputado na disputa rearrumou o tabuleiro e levou a campanha para um patamar mais elevado, ganha. Mas também perde, porque Molon, com Cabral e Lula, é mais forte do que seria o adversário Eduardo Paes. Molone Gabeira disputam o mesmo tipo de voto.

PERDEM

CESAR MAIA

O prefeito vai para uma eleição na cidade que governou três vezes sem condição sequer de estabelecer uma aliança eleitoral com outro partido ou de ter um candidato competitivo. Hoje sua pré-candidata é Solange Amaral, mas há rumores de que poderia trocá-la pelo ex-tucano Ronaldo Cezar Coelho. Solange Amaral não teve aumento de votos entre uma eleição e outra para o Parlamento.Além disso, Cesar perdeu a aliança com o PMDB. Solange ou outro candidato de Cesar terá bem menos tempo de TV.

EDUARDO PAES

O secretário de Esporte trocou o PSDB pelo PMDB com a promessa de Sérgio Cabral de que seria candidato a prefeito.Agora foi preterido pelo PMDB, e no PSDB não tem mais espaço.

GAROTINHO

Foi deixado de lado pelo presidente da Alerj, Jorge Picciani, com quem tinha feito uma aliança com Cesar Maia. Ficou sem palanque e sem a aliança com o DEM no estado.Está isolado, sem força e sem candidato no Rio

LULA E CABRAL NA ELEIÇAO DO RIO E JANEIRO


LULA E CABRAL TROCAM TUDO NA SURDINA

Comentário sobre a notícia:

Publicado no JORNAL DO BRASIL, em 27 de Março de 2008

Tenho certeza absoluta que 90% da população da cidade do Rio de Janeiro não tem a mínima idéia de quem são Alessandro Molon e Régis Fichtner. Sérgio Cabral, uma das principais marionetes estaduais de Lula, colocou para escanteio o seu secretário Eduardo Paes, que largou o PSDB em outubro de 2007, para ser candidato a prefeito pelo PMDB em 2008.

Nada como um dia atrás do outro.

Os que conhecem a trajetória política de Eduardo Paes devem estar morrendo de rir. O objetivo maior dos dois grandes oportunistas, Lula e Cabral, não é a eleição dos dois estranhos no ninho, Alessandro Molon e Régis Fichtner, mas sim, apoiar, num segundo turno, o bispo Crivela, que deverá enfrentar o Gabeira, ou a Jandira Feghali, colocando toda a máquina Federal e Estadual a serviço dos interesses eleitorais do pastor Crivela.

Como esses dois, Lula e Cabral, nunca fazem nada às claras, eles preferem fingir que estão muito empenhados na eleição para prefeito no primeiro turno, transformando o apoio à Crivela no segundo turno, como uma contingência forçada pela disputa eleitoral. Qualquer iniciante em politica sabe que é impossivel os dois ilustres desconhecidos disputarem o segundo turno da eleição.

Resta agora advinhar para onde o prefeito virtual Cesar Maia vai enviar o seu e-mail.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)


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O Globo - EDIÇÃO DO DIA 26 de março de 2008.

Cabral troca Paes por petista

Governador acerta com Lula e Picciani chapa com Molon e seu homem de confiança
como vice
Chico Otavio

No almoço de aniversário do presidente da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Jorge Picciani (PMDB), oferecido ontem pelo governador Sérgio Cabral, quem acabou na frigideira foi o secretário estadual de Esporte e Lazer, Eduardo Paes. Ele deixou de ser o candidato de Cabral à sucessão do prefeito Cesar Maia. Numa articulação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador acertou com Picciani o apoio do PMDB a um petista na disputa da prefeitura: o deputado estadual Alessandro Molon.

Será uma dobradinha do PT com o PMDB. Para vice na chapa, Cabral indicou o advogado peemedebista Regis Fichtner, secretário estadual de governo. Homem de confiança do governador, une o partido e agrada, inclusive, a Picciani.

O almoço a dois, no Palácio das Laranjeiras, serviu para aparar arestas.

Picciani desistiu da aliança com o DEM, de Cesar Maia e da pré-candidata Solange Amaral. Mas o acerto entre os dois deverá abrir uma crise no PMDB. Ontem mesmo, após a divulgação dos resultados do encontro, o exgovernador Anthony Garotinho e o deputado Marcelo Itagiba criticaram a dobradinha e prometeram reagir.

Os dois personagens do acordo se esquivaram de falar. Tanto Molon como Paes se recusaram a comentar a decisão. Paes se reuniu ontem com o governador, e foi avisado que tinha sido preterido. Hoje, Cabral receberá Molon, em encontro que também terá Picciani, Regis Fichtner e o presidente estadual do PT, Alberto Cantalice, para acertar os detalhes do acordo.Garotinho diz que não foi consultado Cantalice disse que Molon foi o último a saber do acerto. Ao lembrar que o PT fará uma prévia no domingo para tratar do assunto, disse que pretende levar para a direção do PT tudo aquilo que sair da reunião de hoje.

— Sempre trabalhamos com a perspectiva do apoio do PMDB e do governador. Mas, com essa aliança, a candidatura petista passa a ser a mais forte na disputa.

O ex-governador Garotinho, defensor da aliança com o DEM, disse ontem que Cabral não pode achar que o PMDB fluminense é uma extensão do governo estadual.

— O governador incorre em grande equívoco ao tomar esta atitude sem consultar as bases.

Garotinho advertiu que a aliança do PMDB com o DEM foi aprovada pelo diretório
estadual do partido e só pode ser mudada numa reunião do mesmo diretório. Segundo ele, o partido de Cesar Maia fez intervenção em mais de 80 diretórios municipais, para garantir o apoio do partido aos candidatos do PMDB.

— Tomar uma decisão dessa magnitude sem comunicar ao prefeito Cesar Maia seria uma traição, palavra facilmente encontrada no dicionário do governador Sérgio Cabral, mas não no meu — atacou.

Logo que soube, Marcelo Itagiba também cobrou uma decisão de partido e não de gabinete: — Isso contraria posição do partido, expressa em manifesto da bancada, de que sem aliança marcharíamos com candidatura própria.Teremos de decidir no partido. Rompese o acordo? Aceita-se a proposta do governador? Já o prefeito Cesar Maia evitou a polêmica: — Cabe aos demais partidos respeitarem a decisão. E cabe ao eleitor decidir.

Dois outros pré-candidatos comentaram o acerto: — Desejo boa sorte para ele (Molon).

Acho que é uma indicação que vai manter o bom nível da campanha — disse o deputado Fernando Gabeira, pré-candidato de uma frente que une PV-PSDB-PPS.

— Eles se merecem e o povo é que não os merece — ironizou o pedetista Paulo Ramos.

Muçulmano convertido pelo papa na missa da semana Santa, na Basílica de São Pedro


Papa Bento XVI, convertendo ao catolicismo, o muçulmano Magdi Allam, vice-diretor do jornal italiano "Corriere della Sera" , na missa da semana Santa, na Basílica de São Pedro

Comentário sobre a notícia:

Num mundo onde todos estão à beira de um ataque de nervos, não dá para entender o porque da conversão ao catolicismo, em plena Vigília Pascoal, do egípcio, muçulmano de nascimento, radicado na Itália, Magdi Allam, vice-diretor do jornal italiano "Corriere della Sera" , numa missa na Basílica de São Pedro, rezada pelo Papa Bento XVI.

O surpreendente nessa história é a vitrine iluminada onde o Vaticano realizou essa conversão. Tal ato poderia ter sido realizado num dia comum, numa simples paróquia de Roma. Enquanto isso acontece no Vaticano, na Holanda, o parlamentar da extrema-direita, Geert Wilders, produziu o curta-metragem "Ftina" (provação), onde ele pretende demonstrar que o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, seria um "manual fascista e de incitação à violência, comparável a "Mein Kampf" (Minha Luta), de Adolf Hitler."

É muito estranho que numa época de violência extrema em todas as partes do mundo, personalidades que deveriam estar comprometidas num movimento pela Paz mundial, coloquem mais lenha na fogueira onde ardem as controvérsias religiosas, sob a alegação de estarem exercercendo livremente os seus direitos.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)

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O Globo EDIÇÃO DO DIA 24 de março de 2008

Papa volta a irritar muçulmanos

Conversão de islâmico polêmico durante a Vigília Pascoal causa protestos e
ameaças

CIDADE DO VATICANO

Na mesma semana em que o líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, acusou o Papa Bento
XVI de iniciar uma nova cruzada contra o Islã, e que passeatas em protesto contra charges do profeta Maomé voltaram a tomar conta das cidades de vários países islâmicos, o Pontífice — num gesto que causou surpresa — converteu ao catolicismo o polêmico egípcio radicado na Itália Magdi Allam, numa missa na Basílica de São Pedro, durante a Vigília Pascoal. Allam, vice-diretor do jornal italiano “Corriere della Sera” e muçulmano de nascimento, é conhecido pela comunidade islâmica como pró-Israel e seu batismo foi respondido com ameaças de morte por radicais. A Comunidade Religiosa Islâmica Italiana, principal organização muçulmana da Itália, classificou acerimônia como uma provocação.

A conversão de Allam foi mantida em segredo pelo Vaticano até uma hora antes da missa e celebrada num momento em que as atenções da mídia internacional estão voltadas para os ritos católicos da Semana Santa, o que fez com que comunidades islâmicas na internet criticassem a atitude da Igreja. As declarações de Allam após a cerimônia também contribuíram para inflar a raiva dos muçulmanos radicais. De acordo com o Islã, a apostasia (conversão a uma outra religião) deve ser punida com a morte.

— As raízes do mal são da natureza de um islamismo que é psicologicamente violento e historicamente conflituoso. O dia da conversão (ao catolicismo) é o mais feliz da minha vida — disse Allam. — Eu sei contra quem estou lutando, mas enfrentarei meu destino com a cabeça erguida e com a força interna de quem tem certeza sobre sua fé.

Já o vice-presidente da Comunidade Religiosa Islâmica Italiana, Yaha Sergio Yahe Pallavicini, disse estar chocado com as circunstâncias da conversão: — O que me surpreende é o alto status dado pelo Vaticano a essa conversão. Por que ela não ocorreu numa paróquia local? O cardeal Giovanni Re procurou minimizar o potencial decríticas à cerimônia: “A conversão é um assunto privado, algo pessoal e esperamos que o batismo não seja interpretado negativamente pelo Islã”, disse ele a um jornal.

Relação marcada por incidentes

A cerimônia no Vaticano também foi marcada por um reforço na segurança, por conta das declarações de Bin Laden. As ameaças contra o Papa estão sendo examinadas pelo serviço antiterrorismo do Ministério do Interior italiano, que recomendou segurança reforçada nos eventos da Semana Santa. Mas o Vaticano enfatizou que a agenda do Pontífice, que inclui uma viagem, em abril, aos Estados Unidos, não sofrerá mudanças.

Ontem, na tradicional mensagem Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo), feita todo domingo de Páscoa, Bento XVI comentou com alegria as conversões ao cristianismo e pediu paz para o mundo.

— Desde o início do cristianismo, há mais de dois mil anos, milhares de pessoas se converteram à fé cristã.

Este é um milagre que segue se renovando hoje em dia — disse.

A conversão feita pelo Vaticano em plena Vigília Pascoal é mais um dos incidentes entre Bento XVI e o mundo islâmico desde que assumiu o Pontificado, e mais um capítulo de uma série de acontecimentos na Europa que estão provocando reações furiosas dos muçulmanos. Em 2006, numa aula magna na Universidade de Ratisbona, na Alemanha, o Pontífice citou palavras de um imperador bizantino sobre Maomé que não agradaram aos muçulmanos. No mesmo ano, violentos protestos se espalharam por vários países islâmicos por causa da publicação de caricaturas do profeta Maomé porjornais europeus.

Resultado da pesquisa de casos de DENGUE: imoral e desonesto


Video: Tobby entrevista Capitão Nascimento e o Mosquito da dengue

Comentários sobre a notícia:

Publicado no JORNAL DO BRASIL 26 de Março de 2008

É vergonhosa a dificuldade que os organismos governamentais de saúde pública colocam para que o cidadão desista de registrar um caso de dengue.

Todas as barreiras possíveis são colocadas no seu caminho para que ele não impetre tal ação, como o enfrentamento de filas para o registro, e na obtenção dos relatórios médicos.

Somos governados por verdadeiras máfias que se entronizam temporariamente no poder, onde usam de todos os meios, legais e ilegais, para que possam permanecer o máximo de tempo possível levando vantagens pessoais em tudo.

A estátistica da dengue no Rio pode até estar oficialmente certa, mas é imoral e desonesta.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)

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O Globo - EDIÇÃO DO DIA 22 de março de 2008

Doentes esperam horas por um hemograma

Pessoas com suspeita de dengue enfrentam longas filas de atendimento nos hospitais do Rio na Sexta-Feira Santa
Vitor Machado e Waleska Borges

A Sexta-Feira Santa foi de filas nos hospitais do Rio. No Lourenço Jorge, da rede municipal, a sala de espera pelo resultado de hemograma estava lotada de pessoas com suspeita de dengue. Sérgio Santos levou o filho Henzo Alves, de 1 ano, que já teve a doença diagnosticada, para fazer um segundo exame, realizado às 11h. Mas o resultado só saiu às 14h50m.

— Na segunda-feira nós chegamos às 9h. O exame foi feito às 16h e o resultado saiu às 21h30m — conta Sérgio, com Henzo, cheio de manchas vermelhas, no colo. A demora ontem era tanta que os pacientes ficaram revoltados.

Às 14h30m, cerca de 15 deles cercaram a voluntária Maria da Glória para cobrar agilidade. Uma mulher gritou que já estava esperando desde 10h. Avoluntária respondeu que havia pessoas aguardando desde 5h.

Na fila, muitas pessoas vindas do bairro Gardênia Azul, na Zona Oeste. As irmãs Sheila e Mônica Belo estão com os sintomas da doença, assim como o padrasto delas. Já Lúciade Fátima Araújo, também moradora do bairro, que estava com dengue até semana passada, levou ontem ao Lourenço Jorge duas filhas, de 11 e 14 anos. Elas estavam com dor de cabeça e cobertas de manchas.

No Hospital Albert Schweitzer, da rede estadual, em Realengo, onde morreu anteontem a menina Ana Clara Gonçalves, de 7 meses, a espera também era longa. Ângela de Abreu Mariano estava com a filha Graciele de Abreu, de 7 anos. Elas moram em Bangu. A menina estava com o nariz sangrando. Ângela estava com dor de cabeça e febre: — Estou com medo da epidemia.

Tenho vários vizinhos com sintomas.

O açougueiro Jeová Rodrigues estava junto da mulher, Rita de Souza, que está com
sintomas da dengue. Eles procuraram a Unidade de Pronto Atendimento Guilherme da
Silveira, mas não tinha médico.

Por isso, engrossavam a fila no Albert Schweitzer.

Em outra unidade estadual, o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, pacientes afirmaram que tinham que esperar de quatro a seis horas para o resultado do exame de sangue. A moradora de Acari Cláudia dos Santos, de 35 anos, mãe de Bruno dos Santos, de 13, chegou ao hospital às 7h. Segundo ela, o resultado do exame só saiu às 13h. No Hospital Miguel Couto, da rede municipal, a situação era semelhante.

Alguns pacientes com sintomas da dengue esperavam mais de quatro horas pelo atendimento.

A Federação dos Hospitais Particulares do Rio informou que o número de atendimentos nas emergências aumentou até 100%, como mostrou ontem o “RJ-TV”.

sábado, 22 de março de 2008

DENGUE, TEU NOME É DESLEIXO



Comentário sobre a notícia:

O governo federal deve estar dando gargalhadas: a epidemia de dengue chegou na classe média. Até agora ela devastava as classes mais humildes. Os hospitais dos planos de saúde estão sendo invadidos pela classe supostamente mais privilegiada, vítimada pelo terrível mosquito.

Enquanto isso, lá no mundo da lua, o prefeito Cesar Maia só atende pelo e-mail. È o primeiro prefeito virtual do planeta. Acho que o incrível alcaide deveria usar a camera do seu - Windows Live Messenger- , vulgarmente conhecido como "msn", e a deixar aberta 24 h por dia, colocando o seu gabinete a disposição de todos os que quisessem bisbilhotar a sua rotina diária na Prefeitura.

Seria um factoide monumental.

De vez em quando, ele falaria algumas palavras, daria entrevista, faria plebiscitos, enfim, toda a sua comunmciação seria feita pelo mundo virtual. Enquanto o prefeito Cesar Maia fica pendurado entre o mundo virtual e real, devo dizer que aqui na terra as pessoas estão apavoradas, com medo de morrer, andando prá lá e pra cá, sem rumo certo, sem saber a quem recorrer.

Estou falando daquelas pessoas que em sua maioria não sabem nem o que seja "microsoft", "msn", e nem e-mail. Muitas estão no Bolsa Familia.

O Lula esqueceu o Bolsa Mosquito.

Na certa, esperto como é, vai assinar um Ato-Institucional, criando o Bolsa Epidemia. Cesar, Temporâo, Cabral, e outros oportunistas, vivem se acusando, visando as eleiçoes municipais. Será que a mãe do PAC não resolveria essa questão? Olhe pelas criancinhas jogadas nos corredores dos hospitais, Dona Dilma. Coordene um PACÃO contra o mosquito Aedes. Milhares de votos iriam picar na sua urna eleitoral.

O ministro Guido Mantega, com a sua eterna aparência de ser virtual, poderia pensar em criar um imposto provisório para subvencionar o combate de todas as epidemias que surgissem no Brasil.

Voltando ao mundo real, enquanto todas essas esperanças virtuais não se concretizam, porque não usar o velho fumacê, que segundo muitos entendidos, é o melhor meio de se combater o danado do mosquito?

Acho que o laboratório que produz e comercializa o inseticida mais moderno para ser usado como fumacê não deve ter oferecido boas comissões aos compradores do governo. Em todas as partes do mundo o fumacê resolveu o problema.

As soluções só deverão surgir quando chegarmos lá pela milionésima morte, e todos os interesses excusos dos politicos envolvidos no assunto forem solucionados.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)

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Jornal do Brasil - DENGUE - 21 de março de 2008

A classe média sai do paraíso

Fernanda Thurler

O serviço de saúde, que já é um problema para os menos favorecidos, está se transformando numa dor de cabeça para os que podem pagar por planos de saúde. O surto de dengue, que atinge o Rio e assusta a população, já encontra reflexos até nos hospitais particulares, quebrando o abismo entre as classes. As emergências estão 50% mais cheias e o tempo de espera pode chegar a até três horas.

- O número pacientes atendidos com suspeita de dengue vem evoluindo. Nos 20 dias de março eles são mais expressivos do que todo o mês passado - explica o presidente da Federação dos Hospitais do Estado, José Carlos Abrahão. - Estamos orientando os profissionais envolvidos para que o atendimento tenha um direcionamento mais rápido e especifico, principalmente, para os casos mais graves.

Com suspeita de dengue, Denis Bialek procurou atendimento no Hospital São Lucas, em Copacabana, mas não recebeu uma boa notícia.

- Eles me falaram que o tempo mínimo de espera é de duas horas. Nem a rede privada tem condições de suprir a demanda dos casos da doença. Os números aumentam a cada ano. Estamos vivendo um caos total - desabafa Bialek.

A peregrinação, já conhecida nos hospitais públicos, torna-se uma novidade na rede privada. A estudante Evelynn Souto, que está com suspeita de dengue, não conseguiu atendimento na Ilha do Governador e foi buscar socorro em Copacabana.

- Fiquei duas horas na emergência do Hospital Santa Maria Madalena, na Ilha. Quando vi que não ia ser atendida, resolvi vir para o São Lucas. Esperei três horas para ser atendida e agora tenho que aguardar mais uma para o resultado do exame de sangue - reclama Evelynn. - Tive que ceder o meu lugar diversas vezes e ficar em pé. É muito ruim porque estou com muita dor no corpo.

Peregrinação também para buscar atendimento para as crianças. O hospital Prontobaby, na Tijuca, tem respondido por 20% das internações pediátricas por dengue da cidade. Apenas neste ano, foram contabilizadas 121 internações por causa da doença. Somente nos primeiros 15 dias de março, foram 41. Mas o hospital parece não dar conta da demanda.

- Conheci um casal que rodou por três hospitais na Tijuca e não conseguiu atendimento. A fila era imensa e faltam leitos. No Prontobaby haviam 200 crianças na frente do filho. Por isso eles vieram para o Copa D'Or - revela uma senhora, que prefere não ser identificada, e que esperava atendimento na emergência do hospital.

A rede D'Or, aliás, assume que os atendimentos por suspeita de dengue aumentaram, mas o grande número de internação surpreende - e muito.

- Tem aparecido mais pacientes com os chamados sinais de alerta, o que caracteriza casos de internação. Mas os números de atendimento também são assustadores. Em 2007, atendemos 833 pacientes por causa da dengue. Só em janeiro e fevereiro deste ano foram contabilizados 500 - conta a Drª Tatiana Campos, infectologista do hospital Barra D'Or.

Cresce a procura, aumenta o tempo de espera e o número de leitos dos hospitais particulares não está suportando a demanda.

- A rede privada não está conseguindo dar o suporte necessário. Eles não estão preparados para suprir essa epidemia - revela o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze.

[ 21/03/2008 ] 02:01

Prefeito rebate acusações de ministro e o chama de "bobão"

Enquanto 2.053 cariocas engrossavam ontem a lista dos contaminados pela dengue, o prefeito Cesar Maia dava seqüência à troca de farpas com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. No início da semana, cobrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Temporão atribuiu o crescimento da doença à baixa implementação do Programa Saúde da Família. O projeto é gerido pelo poder municipal, com recursos da União. A Secretaria Municipal de Saúde não tem sequer metade das equipes que se comprometeu a montar até o fim de 2006.

Cesar, porém, acredita que o problema do ministro com a administração do município seja pessoal. Temporão guardaria rancor por ter sido exonerado dos quadros da prefeitura há sete anos.

- O Temporão não me perdoa por eu tê-lo demitido em 2001, quando foi meu subsecretário, por incompetência, preguiça e abandono dos hospitais - protesta o prefeito, que também rebate as acusações de que seus agentes de saúde não alcançam regiões críticas da cidade. - Os médicos não aceitam trabalhar em favelas com traficantes. A cada dia, o ministro sanitarista se desmoraliza mais: até a febre amarela voltou. É um bobão, como eu disse ao demiti-lo.

O médico sanitarista Temporão, que passou a ser homem de confiança de Lula na pasta da Saúde há um ano, preferiu não rebater as críticas de seu ex-patrão do DEM. Por meio da assessoria do ministério, informou apenas esperar que o governo municipal envie representantes para compor o gabinete de crise criado para controlar a epidemia.

Gabinete

O ministro da Saúde viajou ontem para o Rio. Temporão vai acompanhar de perto o trabalho do gabinete, montado na quarta-feira.

Integram o gabinete os secretários de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e o de Atenção à Saúde, José Noronha, além de autoridades estaduais e municipais. A missão é elaborar, até a próxima segunda-feira, um plano de ações que devem ser tomadas para lidar com o surto atual, além de produzir um levantamento relativo às necessidades de contratação de pessoal. Na quarta-feira, em nota oficial, o ministério atribuiu como uma das principais razões do surto a dificuldade da prefeitura para implantar o trabalho das equipes do programa Saúde da Família.

[ 21/03/2008 ] 02:01

Côrtes admite epidemia de dengue
Renato Grandelle

Pela primeira vez este ano, uma autoridade reconheceu que o Rio passa por uma epidemia de dengue. O mea culpa feito pelo secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, contraria as declarações da prefeitura, que ainda encara o aumento de registros da doença como surtos locais. Côrtes também pediu desculpas à população pela demora no atendimento nas emergências hospitalares.

- Estou tratando a dengue como epidemia, porque o número de casos é extremamente elevado e está fora de controle - admitiu. - Sei que o atendimento demora, mas é preciso aguardar, porque muitas vezes é preciso hidratar o paciente.

Medidas emergenciais

A batalha contra o Aedes aegypti provocou correria no governo estadual. Uma UTI pediátrica com 10 leitos, destinada exclusivamente a pacientes com dengue, foi construída em apenas uma semana no Hospital Pedro II, em Santa Cruz. A administração ainda dava os últimos retoques nos quartos na madrugada de ontem, horas antes de receber Côrtes. A romaria contra o mosquito vai ser estendida à Zona Portuária: na semana que vem, o secretário pretende inaugurar 80 leitos no Hospital Anchieta, também da rede estadual.

Para diminuir as filas, Côrtes aposta nos centros de hidratação, tendas climatizadas com capacidade para até 80 pacientes. Três modelos já estão previstos para a semana que vem, todos na Zona Oeste: ao lado das Unidades de Pronto-Atendimento de Santa Cruz e Campo Grande e próximo ao Retiro dos Artistas.

Também está previsto para os próximos dias a inauguração de um disque 0800 para denunciar focos da doença. O Estado tenta firmar convênios com empresas de telemarketing para capacitar os atendentes. Em outro front contra o mosquito, a Sociedade Brasileira de Pediatria vai assumir a seleção dos profissionais contratados pela secretaria para atuarem como agentes de combate à epidemia.

O pacote anti-dengue tem o amparo do Ministério do Saúde, que determinou a criação de um gabinete de crise para conter o avanço do Aedes no Rio. A primeira reunião está marcada para segunda-feira.

[ 21/03/2008 ] 02:01

Um paraíso para os cariocas... e os Aedes

A Baía de Sepetiba, na Zona Oeste, tinha tudo para ser um recanto privilegiado da cidade. Vizinha de uma área de proteção ambiental, livre do trânsito e desconhecida pela maioria dos cariocas, a paisagem estonteante poderia fazer a alegria dos moradores de Pedra de Guaratiba. Não é o que acontece. Pelas estatísticas oficiais, dos quase 10 mil moradores do bairro, 34 contraíram dengue este ano. Uma pequena ronda nas ruas à beira-mar, no entanto, é o suficiente para encontrar casos ignorados pela Secretaria Municipal de Saúde.

Embora contaminada pelo mosquito, a aposentada Léa Nunes, de 72 anos, ainda não entrou na relação oficial de casos mantida pela prefeitura. Pior: quando foi a um posto de saúde municipal, recebeu uma receita médica proibitiva aos infectados pelo mosquito. Sem a ajuda do poder público, o jeito foi criar seu próprio tratamento.

- Como tive dengue na epidemia de 2002, sei qual remédio preciso tomar e como é importante beber muito líquido - lembra a dona-de-casa Cristina Nunes, filha de Léa.

Cristina tornou-se especialista no combate ao Aedes aegypti. O mosquito derrubou boa parte de sua família - além da mãe, também foram contaminadas uma de suas filhas, uma prima e duas tias. Em sua rua, que dá acesso à baía, pelo menos seis pessoas contraíram a doença no último mês. A Secretaria Municipal de Saúde, porém, ignora qualquer caso ocorrido em Pedra de Guaratiba nas últimas semanas.

Protesto contra Cesar

Embora o Aedes não tenha provocado estrago tão grande entre seus parentes, a pensionista Rosângela Brazil, vizinha de Cristina, assumiu a linha de frente nos protestos contra o descaso da prefeitura. A primeira ação contra a trupe de Cesar Maia será um manifesto segunda-feira, em frente a uma escola municipal da região. Enquanto o protesto ganha contornos, as primeiras medidas para erradicar o mosquito já são tomadas, embora esbarrem em dificuldades quase intransponíveis para os moradores.

- Há inúmeras casas de veraneio fechadas, todas com piscinas cheias e sem ter quem evite sua transformação em focos de dengue - critica Rosângela.

O proprietário de uma das casas de veraneio foi localizado por Cristina e Rosângela. Morador da Tijuca, ele ainda não atendeu aos apelos das vizinhas para combater a dengue em seu terreno. A Comlurb e a Defesa Civil Municipal foram acionadas, mas declararam nada poderem fazer.

À beira-mar, novos problemas. Pescadores e, mais uma vez, proprietários de casas de veraneio deixam seus barcos na areia, expostos à chuva e à acumulação de água. E a Área de Proteção Ambiental das Brisas, administrada pelo Ibama, tem um manguezal que também não recebe agentes mata-mosquitos.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Lula diz que é "humanamente impossível" governar sem Medidas Provisórias


LULA : EDITO QUANTAS MEDIDAS PROVISÓRIAS EU QUISER [Charge no Blog do Josias]

Publicado no JORNAL DO BRASIL em 21 de março de 2008

Comentário sobre a notícia:

Antes do Lula ser eleito, o presidente da FIESP na época, Mario Amato, avisava que todos os capitalistas iriam sair do Brasil se ele chegasse a presidência. A artista Regina Duarte dizia que morria de medo com a possibilidade do candidato petista ganhar a eleição.

Lula foi eleito.

Os empresários não sairam do Brasil, ninguém morreu de medo, e os banqueiros e especuladores estão adorando o governo petista.

Nos dias de hoje, Lula repete as frases aterrorizantes dos seus antigos adversários. Na votação da CPMF afirmou que o Brasil não iria resistir ao fim daquele imposto.

O país resistiu.

Agora ele diz que é "humanamente impossível" governar sem MPs.

A cada dia que passa ele parece estar mais insatisfeito com a morosidade do atual sistema político. Pelo jeito que a coisa vai, nem os antigos decretos-leis interessam mais ao Lula.

Parece que só a "agilidade" dos Atos Institucionais que foram editados ao longo dos governos militares devem servir aos propósitos de rapidez do presidente. Assim sendo, o ideal seria uma reforma política onde só existisse dois partidos: um do 'sim" e outro do "sim, senhor".

Para tudo ficar mais rápido ainda, poderiam ser dispensados todos demorados eventos políticos de 2010.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)

*


O Globo EDIÇÃO DO DIA 19.03.2008, página 3

É impossível governar sem MPs

Lula recorre ao mesmo discurso que usou quando tentava aprovar CPMF no Congresso


Flávio Freire - Enviado especial • CAMPO GRANDE (MS)

Em resposta ao movimento do Congresso por mudanças nas regras sobre medidas provisórias, que têm força de lei e trancam a pauta do Legislativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que considera “humanamente impossível” governar sem MPs. O petista repetiu o discurso ameaçador usado ano passado, quando tentava aprovar a manutenção da CPMF argumentando que o país não podia abrir mão dos recursos do imposto — o que, viu-se depois, não se confirmou. Em tom mais conciliador, Lula disse ainda que o Congresso deve trabalhar como achar melhor, mas destacou que o tempo necessário para que as coisas aconteçam no país é muitas vezes mais rápido que o da discussão parlamentar.

— Não tem ameaça, e acho que o Congresso tem que trabalhar de uma forma que se sinta bem. A medida provisória, quando foi instituída, na Constituinte de 88, veio porque todos estavam cansados de decreto-lei. Todos sabem, deputados e senadores também, que é humanamente impossível governar sem medidas provisórias

— disse ele, que ontem participou da assinatura da ordem de serviço de R$ 89 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras em Mato Grosso do Sul.

— O tempo e a agilidade que as coisas precisam para acontecer muitas vezes é mais rápido que o tempo da discussão democrática. A idéia da Câmara e do Senado de debater isso (MPs) é porque querem compatibilizar as necessidades do governo e do Congresso.

Nos bastidores, Lula trava uma batalha para que as MPs não percam força de lei, com vigência imediata, o que as tornaria projetos sem prazo para votação.

Lula cutucou o Senado com um tema que parece não ter digerido: o fim da CPMF. Com ironia, o presidente disse que “lá no Senado” um grupo de pessoas teve uma “imaginação extraordinária” quando votou contra o tributo.

— Falavam assim: “Não vamos deixar passar.

Se esse Lula tiver R$ 120 bilhões até 2010, ele vai fazer o sucessor”. Mas, como eu tenho sorte, se Deus quiser vou arrecadar os R$ 40 bilhões que me tiraram, vou fazer todos os programas e eles vão ficar com muito mais raiva ainda.

PAC é comparado às muralhas da China

Num discurso em que citou 19 vezes a sigla PAC, principal bandeira do governo e tida como trunfo do PT para as eleições deste ano, Lula classificou de “mesquinharia política” quem vê no projeto viés eleitoreiro. De cima de um palanque e ao lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a quem já apelidou de “mãe do PAC”, Lula assegurou que distribuirá dinheiro do governo não só para
“amigos do PT, PMDB ou PTB”, mas para todas as capitais do país, independentemente do partido no governo. Ele prometeu que acompanhará o andamento das obras visitando as cidades contempladas com os recursos. Amanhã, Lula estará em Foz do Iguaçu (PR) e Florianópolis (SC), anunciando a liberação de verbas para o PAC.

— Não tem uma capital deste país, uma cidade da região metropolitana deste país que não esteja recebendo muito dinheiro do governo federal.

E não pensem que são só os meus amigos do PT, do PMDB, do PTB — disse ele, lembrando que o governo destinou R$ 8 bilhões para a administração do tucano José Serra em São Paulo, R$ 4 bilhões para Aécio Neves (PSDB) em Minas Gerais, além de “muitos bilhões” para Cesar Maia (DEM), prefeito do Rio de Janeiro.

— Não posso compreender que a mesquinharia política chegue a tal ponto que o povo seja a mortadela no meio do pão que são os políticos.

O PAC está dando certo e incomoda muita gente porque a Dilma presta contas do PAC para mim todo mês — disse Lula, durante assinatura de uma ordem de serviço para obras de saneamento em Mato Grosso do Sul, administrado pelo PMDB, partido da base aliada.

Até 2010, segundo contas do governo, serão destinados R$ 504 bilhões para obras de infra-estrutura no país. Só para Mato Grosso serão R$ 5 bilhões. Sentada ao lado direito de Lula, a ministra também reverenciou o programa: — O PAC gera uma quantidade significativa de emprego e renda, é fator direto de crescimento do país e uma vacina contra as crises externas.

O Brasil não vai parar de crescer nem viver o chamado vôo da galinha — disse a ministra.

Empolgado, Lula chegou a comparar o PAC às muralhas da China: — Imaginem quando o primeiro cidadão foi colocar o primeiro tijolo na muralha da China. E se ele falasse: “Não vou começar porque não vai dar para fazer”? Ele teve que começar
para os outros continuarem. É importante que as coisas demorem para serem bem-feitas. A minha tese é que o PAC possibilitou à gente encontrar um jeito de governar melhor este país.

Maria do Rosário derrota a mãe do PAC e os caciques do PT


Maria do Rosário é carregada em triumfo pelos petistas amotinados

Comentário sobre a notícia:

Para participar da prévia para a escolha do nome que iria concorrer a prefeitura de Porto Alegre, com a sigla do PT, a ministra Dilma Rousseff, mãe do PAC, deixou Brasília e foi para Porto Alegre apoiar a candidatura do ex-ministro da Reforma Agrária, Miguel Rossetto, o preferido dos caciques do partido, que disputava a indicação com a deputada federal Maria do Rosário.

No café da manhã do dia da escolha do candidato petista à prefeitura de POA, a mãe do PAC disse que na politica sempre existe uma fila, e que Maria do Rosario teria que esperar a sua hora. Horas depois os eleitores petistas acharam que já havia chegado a hora e a vez de Maria do Rosário, e a escolheram como a candidata do partido.

Acho que a mãe do PAC pegou a doença do pai do PAC, que é sempre dar um palpite infeliz, e fora de hora.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)



JORNAL DO COMERCIO, Porto Alegre, 17 de março de 2008

Maria do Rosário vence a prévia do PT

Folha Online, 17 de março de 2008

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u382613.shtml

Plano Contra o Crescimento da Classe Média.


FOTO: Lula ... mas que cara ...

Comentário sobre a notícia:

A filosofia do governo com relação a classe média é um flagrante ato de terrorismo. Tempos atrás o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu diminuir o imposto de renda para pessoas físicas. Isto não será mais feito porque os técnicos do governo acham que sobrando dinheiro no bolso do cidadão ele vai começar a comer muito, os alimentos vão escassear, e os preços vão subir, provocando o aumento da inflação.

Eu acho que uma das razões dessa possivel falta de alimentos foi a entrada do pessoal do bolsa família no mercado consumidor de comida. Esse fato fez com que a produção destinada ao consumo interno ficasse pela hora da morte. Alem de tudo, os preços no mercado internacional estao muito bons, e é melhor vender os nossos alimentos para os pobres e a classe média no exterior.

Aqui no Brasil os governos mudam mas não modifica a mentalidade dos nossos produtores agricolas. Eles só produzem o estritramente necessário para que os mais pobres não morram de fome, e a classe média coma um pouco mais do que os pobres, sem grandes exageros.

A pretexto de combater a inflação, o governo não dá aumento aos aposentados que ganham mais de um SM, conserva o IR da pessoa física, aumenta os impostos, e os juros.

Isto é o plano contra o crescimento da classe média.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)

Será que ninguém percebeu que a meta principal do governo Lula é desmoralizar o Congresso Nacional ?


JARBAS VASCONCELOS discursando em 13 de março de 2008.
Veja aqui a integra do pronunciamento

Comentário sobre a notícia:

Será que ninguém percebeu que a meta principal do governo Lula é desmoralizar o Congresso Nacional ?

Todos sabemos que o parlamento brasileiro é composto por uma grande quantidade de políticos oportunistas. Mas dái a permitirmos que o executivo afronte livremente toda a sociedade oferecendo acôrdos indecentes para esses elementos votarem todas as matérias que são do interesse dos governistas, vai uma grande distância.

Hoje, 13 de março, acabei de ouvir o discurso duro e sem meias palavras, feito da tribuna do Senado Federal, pelo senador Jarbas Vasconcelos, de PE, quando conclamou todos os seus pares ao enfrentamento contra os que querem demolir a democracia no Brasil, via desmoralização do Congresso Nacional.

Está na hora dos parlamentares idealistas e honestos, erguerem suas trincheiras no Congresso Nacional.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)



ESTADO DE SÃO PAULO, 16 março de 2008

Quando a oposição é a favor


Gaudêncio Torquato

O ranking do ineditismo nacional acaba de acolher mais um conceito estrambótico: o governismo oposicionista. Trata-se do sistema de governo de coalizão, ancorado na maior rede de alianças da História republicana, que desenvolve em seu próprio seio uma força contrária, cuja ação é deletéria ao próprio organismo a que serve. Ou seja, o governo gera, a partir da sua própria base, parcela da oposição que se faz a ele. Como a política não é apenas a arte do possível, mas o esforço para transformar o impossível no possível, o livro dos absurdos registra mais uma aberração: o oposicionismo governista. Neste caso, a oposição partidária, liderada por tucanos e integrantes do DEM, é que fornece a vitamina para robustecer o perfil de Lula. As duas formas de oposição, uma interna e outra externa, lutam na arena parlamentar, agindo em defesa pontual de interesses, e, ao final do embate, conseguem o feito reprochável de borrar a imagem do Congresso Nacional. Não bastasse, o corpo parlamentar, perdido entre discussões freqüentemente inconseqüentes, ainda recebe puxões de orelhas do presidente da República.

O governismo de oposição tem florescido na seara do nosso presidencialismo de coalizão. Ancora-se no balcão de recompensas, na repartição de verbas e espaços públicos, tradição que remonta aos tempos coloniais. De lá para cá, a res publica tem sido bastante privatizada. O ensaio de reforma política pós-ditadura militar, por exemplo, inspirou-se em alianças e no clientelismo. A revalorização da democracia, embutida na campanha das diretas-já, também não conseguiu eliminar o balcão de trocas. Na Constituição de 1988 se chegou a vislumbrar o parlamentarismo como antídoto contra o populismo de direita e a ameaça de esquerda. Mas o que sobrou foi um hiperpresidencialismo. Nas últimas duas décadas, a esfera política, impregnada do espírito de mudanças e comprometida com o resgate das instituições, não foi com tanta sede ao pote. Certo pudor ético estabelecia limites às ambições pessoais e partidárias. De maneira gradual, porém, as portas do espaço público se abriram, ao fluxo de uma relação cada vez mais dependente entre Executivo e Legislativo. Foi assim na administração FHC, que conseguia aprovar as matérias enviadas pelo Palácio do Planalto. Mas, neste segundo governo Lula, a prática clientelista chegou ao ápice. E o que poderia ser força se transforma em fraqueza. O governo tem dificuldades para controlar sua base política.

O motivo é pra lá de risível. O presidente tornou-se o maior varejista do comércio parlamentar de nossa História. Aprecia a política do retalho, incentiva querelas partidárias, submete-se a pressões, analisa posições e, ao final de longo processo de cozimento de pedidos, cede um pouco aqui e ali, administrando a miudeza parlamentar. Dessa forma, o formidável conjunto governista - cerca de 370 deputados - se quebra em grupos grandes e pequenos. Resta uma parede de mosaicos toscos. A homogeneidade cede vez à diversidade. Parlamentares desfavorecidos fazem corpo mole e entram na barganha. Não foi outra a razão para deixarem de votar em tempo hábil a peça orçamentária. O contrabando enfeixado pelo discutível anexo de metas da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) - no valor de R$ 534 milhões - beneficiava apenas 90 parlamentares.

O discurso contraditório se torna patente quando Lula cobra fidelidade aos aliados: “Quem está no governo tem de ser governo, está na hora de medir forças com a oposição.” Se é ele próprio que atende o balcão varejista, alimentando o divisionismo interno, e se é o Poder Executivo que entope o Congresso com medidas provisórias (MPs), trancando a pauta, que moral tem para proclamar: “Não posso crer que apenas eu queira trabalhar e eles, não”? Luiz Inácio é também responsável pela inação de base parlamentar, seja pela incapacidade de motivá-la a votar matérias de seu interesse, seja pela enxurrada de MPs que enfia na goela do Congresso. Quem perde e ganha com essa capenga modelagem governativa? O País perde e o Parlamento afunda a imagem. Por incrível que possa parecer, o ganhador, mais uma vez, é ele mesmo, Lula. O presidente nunca fica em maus lençóis porque tira partido de instrumento excepcional para legislar e garantir os recursos de que necessita. E, no fim das contas, o verbo que permanece na cognição das massas sai de sua boca.

Se a coalizão do governo alimenta o vírus da permanente gripe que aflige as Casas congressuais, o soro fisiológico para fortalecer o corpo governamental é - incrível - fornecido pelas oposições. Registra-se, aqui, mais um contra-senso. A base oposicionista, liderada por PSDB e DEM, em vez de escolher o plano das idéias e, daí, propor ações de envergadura para livrar o Parlamento da inércia, abriga-se na barreira da obstrução e no palanque da veemência discursiva. Não se distingue nas oposições a defesa de um programa alternativo para o País. Ora, verbo por verbo, o de Lula é mais convincente, porque flui pelos dutos que levam bilhões de reais para a base da pirâmide. Os opositores não conseguiram desenvolver uma identidade e, conseqüentemente, cultivar maior espaço no meio social. Suam a conta-gotas no exercício rotineiro da eloqüência adjetivada, que mais serve para confundir do que persuadir.

Que eficácia gera - nas esferas legislativa e executiva - a paralisação das atividades congressuais? Pouco adianta a ameaça de Arthur Virgílio, líder dos tucanos no Senado: “Nunca mais haverá um acordo nesta Casa. Amanhã não passa nada nas comissões, vamos pedir vistas de tudo.” Agindo dessa forma, a oposição contribui para agigantar a imagem de um mandatário que diz querer trabalhar, mas se vê impedido pelo Congresso. O Executivo - essa é a triste verdade - continuará a usar MPs para fazer o que lhe convém. No Brasil, o impossível acontece: o oposicionismo, tanto o criado pelo sopro governista quanto o lapidado por PSDB e DEM, serve apenas para ornamentar o perfil do presidente Luiz Inácio.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP e consultor político

Comentário sobre a maternidade do PAC


Dilma, a mãe do PAC

Publicado no Jornal do Brasil, 18 de março de 2008

PAC

Cumprimento o leitor Wilson G. Parker (JB, dia 15, pág. A10) por seu comentário sobre a paternidade e maternidade do PAC. Permito-me externar minha preocupação pela descendência do ilustre casal, constituída, em síntese, pelo PT, MST, centrais sindicais, mensaleiros e quejandos, já esvoaçando como abutres sobre as burras do programa. Paralelamente, como católico convicto, rezo para que a dama-de-lata não obtenha sucesso em sua corrida açodada rumo ao governo do Brasil.

Aloisio de Abreu Pereira da Silva, Rio

quarta-feira, 12 de março de 2008

Dilma assume que é a "mãe do PAC, para o mal ou para o bem"


DILMA PRESIDENTE - Dilma se diz "mãe do PAC" e ouve apelo por 2010

Comentários sobre a notícia:

Publicado no O GLOBO EDIÇÃO DO DIA 13.03.2008

Publicado no ESTADO DE SÃO PAULO em 13 de março de 2008

Publicado no JORNAL DO BRASIL em 15 de março de 2008

A chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, aceitou ser a mãe do PAC.

Com essa atitude ela mostrou que é uma dama de ferro com um coração bem tropical. Aparentemente, será um ponto a seu favor na hora em que o eleitor estiver diante da urna em 2010.

O povo brasileiro vive equilibrado na aresta vertiginosa que existe entre o bem e o mal. O PAC precisa de uma mãe corajosa e rígida, que saiba controlar o enorme patrimônio herdado por ele.

O pai do PAC não é um mau sujeito, mas além de falar demais, tem uns amigos que em pouco tempo iriam sumir com todo o dinheiro do seu filho.

Se tudo correr bem com o PAC, em 2010 a ministra Dilma Rousseff poderá ganhar duas eleições: mãe do ano e Presidência da República.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)

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O Globo EDIÇÃO DO DIA 12.03.2008.

O País - Página 4


Dilma assume que é a "mãe do PAC, para o mal ou para o bem"

Ministra reclama que não pode abrir gastos deste ano com programa
Gerson Camarotti

BRASÍLIA. A chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, assumiu ontem o título de “mãe do PAC” (Programa de Aceleração do Crescimento), que o presidente Lula lhe atribuiu sexta-feira, no Rio, e defendeu a aprovação do Orçamento de 2008 para que a iniciativa não seja prejudicada. Dilma disse que o presidente foi muito feliz ao lhe dar esse título e que, para o bem ou para o mal, ela é mesmo a mãe do PAC.

— Acho que é um título simbólico, que simboliza minha coordenação.

Para o mal ou para o bem, nesse sentido eu sou a mãe do PAC. Tanto nos momentos difíceis do PAC, quando diziam que era pirotecnia, quanto nos bons, quando as obras saem, é responsabilidade da coordenação.

Nesse sentido, o presidente Lula foi muito feliz. Para melhor ou para pior, eu sou a mãe do PAC — disse Dilma, em entrevista no Senado, após solenidade em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Ministra se emociona ao homenagear ex-presa política A ministra mostrou-se preocupada com a demora da aprovação do Orçamento: — É impossível um país com tantas carências não ter seu Orçamento aberto. Estamos muito preocupados porque, enquanto o Orçamento não é aprovado, não posso abrir os gastos deste ano com o PAC. Vou fazer um balanço do programa em maio, mas estarei com dois meses e 15 dias perdidos. É ilegal gastar sem Orçamento. Podemos até usar medidas provisórias, mas essa não é a questão central.


Na sessão em homenagem ao Dia da Mulher, a ministra, com fama de inflexível na negociação com aliados, não segurou a emoção ao fazer uma homenagem à ativista da luta pela redemocratização e ex-presa política Terezinha Zerbini, de 80 anos.

Dilma ficou com a voz embargada e os olhos marejados ao se lembrar do período da ditadura, em que militantes políticos eram torturados nas prisões do Dops. Ela contou que, durante quase dois anos, ficou presa com Terezinha no Presídio Tiradentes, em São Paulo.

— Conheci a Terezinha nos anos 70. Ela lutou contra a ditadura, a luta de resistência, em um momento difícil, em que não se tem a facilidade de se manifestar. Ela mostrou imensa solidariedade e dignidade. Parece pouco, mas a Terezinha fechava a porta e a janela de sua cela quando recebíamos visitas não muito agradáveis daqueles que não honravam as distinções que o marido dela tinha honrado — disse Dilma, numa referência ao general Euryales de Jesus Zerbini, que em 1964 foi preso por ser leal ao presidente deposto João Goulart.

Ao entregar ontem o Prêmio Bertha Lutz a Terezinha, Dilma disse que se sentia honrada em participar da homenagem.

A ativista pediu a palavra para incentivar a ex-companheira de militância: — Dilma, continua. Deus quer quando as mulheres querem. Então vamos querer.

Também emocionado, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), lembrou, ao final, que a própria Dilma foi vítima da tortura: — A ministra não tornou muito claro (as torturas que sofreu) por razões de modéstia, de se preservar. A ministra foi alvo da violência da ditadura militar naqueles dias sombrios.

Na homenagem ao Dia da Mulher, Dilma ainda elogiou a geneticista Mayana Katz, também premiada pelo Senado. Dilma fez uma defesa enfática da aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias: — Isso pode permitir o avanço significativo das pesquisas com células-tronco. Que tenha um desenlace favorável no Supremo Tribunal Federal.

segunda-feira, 10 de março de 2008

DILMA, A MÃE DO PAC


VIDEO: Thiollier (11/3/08): 2010 antecipado

Comentário sobre a notícia:

Publicado no JORNAL DO BRASIL EM 11 DE MARÇO DE 2008

Mais um problema criado pelos improvisos do presidente Lula: a maternidade do PAC. Nas tres localidades em que lançou o tal programa de aceleração do crescimento, Complexo do Alemão, Manguinhos e Rocinha, o presidente disse em alto e bom som que a ministra Dilma Roussef é a mãe do PAC.

Vestida a caráter para a ocasião, onde tentava se encaixar na paisagem local com uma roupa bem humilde, contrastando com a sua costumeira postura elegante e autoritária, a "mãe" do PAC apenas vazou um sorriso indecifrável.

Mais tarde, depois que os cientistas políticos do governo chegaram a conclusão de que a história de mãe do PAC era mais uma gafe ridícula do presidente, a ministra resolveu dizer que o PAC não era seu filho. Quando muito, ela apenas seria a coordenadora dos atos do rebento eleitoral do governo.

Por enquanto Lula, ninguém quer o PAC. Aguenta aí que o filho é teu.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)

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Reuters - Sexta, 7 de março de 2008, 14h17

Lula apresenta Dilma como - mãe do PAC - em favelas do Rio


FOTO: PAC - DILMA A MAE DO ANO NA FAVELA COM LULA-CABRAL-MARIZA - 07MARÇO2008

Ao discursar no lançamento de obras do PAC na favela do Complexo do Alemão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a ministra-chefe da Casa Civil de "mãe" do programa.

Com investimentos de 500 bilhões de reais até 2010, o Programa de Aceleração do Crescimento é a ação de maior impacto do segundo mandato de Lula, e Dilma é uma das potenciais candidatas do PT à sua sucessão.

"A Dilma é uma espécie de mãe do PAC. Ela acompanha, cobra e vê se as obras estão andando ou não. Ela é a companheira que comanda o PAC, é a mãe do PAC", disse Lula.

Na semana passada, Lula convocou a ministra para acompanhá-lo em eventos públicos, o que foi interpretado como uma forma de o presidente testá-la junto a platéias populares.

Dilma estava vestindo um figurino descontraído, de calça jeans e camisa azul no lugar do tradicional tailler.

Lula voltou a apresentá-la como referência do PAC na cerimônia na favela de Manguinhos. Junto com Dilma, citou o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, como fiscais do andamento das obras do PAC.

"Esse homem aqui é o vice-governador e essa mulher é a ministra da Casa Civil. Eles serão chefes de olhar a cada dia, semana e mês as obras do PAC", disse Lula.

"Se o Pezão e a Dilma não estiverem cuidando do PAC, a gente puxa a orelha dos dois", afirmou.

VIOLÊNCIA E POBREZA

Para uma platéia formada por pessoas carentes, o presidente disse que seu governo é voltado para as camadas mais pobres da população e que sonha em melhorar a imagem da violência na cidade.

"Não tem retrocesso. Nós respeitamos os Estados Unidos, a União Européia, os ricos, todo mundo. Mas a nossa prioridade é cuidar dos pobres. É preciso ficar claro", enfatizou.

Em Manguinhos, Lula disse que seus objetivo é que os pobres ganhem cidadania e melhorem de vida.

"O único momento em que o pobre é tratado como cidadão de primeira classe é no dia da eleição. Certamente vocês nunca viram um candidato falar mal de pobre. Falam mal dos banqueiros e dos ricos, e depois com quem eles vão jantar?", perguntou aos moradores, que responderam: "Com os ricos".

Além do Complexo do Alemão e de Manguinhos, o presidente lança nesta sexta-feira obras de reurbanização na Rocinha. No total, segundo o Planalto, serão investidos cerca de 1,14 bilhão de reais, sendo 838,4 milhões de reais pelo governo federal, atingindo cerca de 68 mil famílias das três comunidades.

As obras incluem moradia, escolas, creches, unidades de saúde, água, esgoto, drenagem, pavimentação de ruas, iluminação, áreas de lazer e equipamentos sociais, segundo texto distribuído pelo governo federal.

"Quero que a imprensa do Brasil e do Rio um dia publique uma manchete: ''Ainda há esperança do Rio voltar a ser de fato e de direito a cidade maravilhosa com muita paz"'', disse o presidente, acompanhado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e de seis ministros.

Durante a visita, foram mobilizados 350 homens e 40 viaturas da Polícia Militar, que contou com o apoio da Força Nacional de Segurança, ocupando as principais entradas da comunidade.

Mesmo assim, policiais avistaram homens armados circulando pela comunidade do Alemão, fato registrado no sistema de rádio.

"O cidadão sabe que o bandido não tem que ser tratado com pétalas de rosa. Mas antes do bandido há mulheres e homens que querem viver dignamente", disse Lula, referindo-se à violência que ronda a comunidade.

"Não há razão para que o jovem desempregado ou que brigou com a mãe ir trabalhar para a bandidagem", disse Lula em Manguinhos, depois de lembrar sua origem humilde, com um passado de dificuldades sociais e financeiras.

CONSELHO DE DEUS

Ainda no Alemão, Lula disse que foi aconselhado por Deus a deixar o início do programa para o segundo mandato, caso contrário, o plano seria taxado de eleitoreiro.

"Foi importante que não anunciássemos o PAC antes das eleições de 2006, porque senão vocês iam ler em manchetes de jornal que estaríamos lançando um programa apenas com interesse eleitoral", afirmou o presidente para um público estimado em 7 mil moradores, segundo a Polícia Militar.

"E deus é tão justo e tão grande que abriu minha consciência para começar esta obra do PAC exatamente no momento em que eu não disputo mais eleições no Brasil porque o mandato (presidencial) termina em 2010", completou.

Como já foi reeleito em 2006, Lula não pode concorrer à próxima eleição presidencial, em 2010, mas poderá tentar novamente em 2014.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Mair Pena Neto)

Reuters

sexta-feira, 7 de março de 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Ato pela paz no Jardim Botânico, Rio, relembra Geísa Firmo Gonçalves, morta por sequestrador de ônibus.

No dia 12 de junho de 2000, fiquei muito triste com a morte de Geisa Firmo Gonçalves. Na época, eu nem desconfiava da sua existência.

Nesse 08 de março de 2008, Dia Internacional da Mulher, eu sempre lembro de mulheres que nunca conheci pessoalmente, mas que ficaram marcadas para sempre na minha memória.

Quando ví, e ouvi, o nome de Geisa pela primeria vez, ela estava á caminho da morte, servindo de escudo para um psicopata, numa transmissão ao vivo da TV.

Geisa, havia deixado o interior do Ceará para tentar a vida no Rio, ao lado do marido Alexandre Magno de Macedo Oliveira, de 22 anos, que trabalha como tratador de cavalos no Jockey Clube do Rio. O casal morava na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul da cidade. Segundo os vizinhos, Geisa optou por morar ali para ficar mais perto do trabalho. Ela nunca teve medo da violência da cidade, comentou a colega Márcia Maria Silvestre.Há oito meses Geisa trabalhava com crianças de 6 a 14 anos. Seu salário era de R$ 300,00.


Foto de Geisa no trabalho

Quem a matou foi um policia militar. O atirador fazia parte de uma "Tropa de Elite", que tem o nome de “força de operações especiais”. Foi criada no tempo da ditadura Vargas, e aperfeiçoada pelos militares que fizeram a quartelada de 1964, para combater estudantes, trabalhadores e o povo em geral, impedindo que eles saissem às ruas, e clamassem por liberdade.

Essa "Tropa de Elite" é basicamente instruída para matar no momento certo. Seus componentes são treinados para fuzilar algums marginais, sem matar incoentes. Estão sempre em busca da perfeição. Uma adrenalina mortal fervilha nos seus cérebros, enquanto uma saliva sêca escorre de suas bocas. Olhos frios, estão sempre procurando alguém que mereça ser morto.


A vítima, deveria ser sempre um marginal da sociedade, localizado na banda podre da sociedade, e esteja pondo em risco alguém que está na banda boa. Quando o fato surge, cruel e real, não adianta pensar porque um está no lado bom e o outro no ruim. O problema já deveria ter sido pensado, e encarado de frente, há mais ou menos uns cinquenta anos atrás.

No entanto, os governantes transferiram a solução da questão para a policia militar. Transformaram os problemas sociais num caso de segurança pública.

Entregaram o problema para a "Tropa de Elite".

A morte de Geisa em 12 junho de 2000, quando estava num onibus da linha 174, que liga a Central do Brasil à favela da Rocinha, no Rio de janeiro, serviu para constatar que na famosa "Tropa de Elite" existem soldados despreparados para exercerem qualquer atividade relacionada à segurança pública.

Fornecer armas para certos policiais é incentivar a matança.

Parece um absurdo, mas um dos caminhos para se acabar com a violência aqui no Brasil, seria desarmar as nossas polícias militares.

Depois da trágica morte de Geisa, alguns “técnicos” em guerra urbana, ou que nome tenha as operações feitas pelas policias militares nas cidades, começaram a exigir armamentos mais modernos, alegando que uma inocente morreu porque eles não tinham armas adequadas para fuzilar o culpado.

Na época, alegavam que os policias não tinham rádios. Mas para que rádios?

Boca sêca e cabeça vazia, era o estado mental e emocional de todos eles.

Geisa foi enterrada lá no Ceará.

Jovem, cheia de vida e sonhos, morreu vitimada por uma série de absurdos, que acontecem em nossa sociedade há uma eternidade de anos. Os homens do poder, até a morte de Geisa, nunca haviam feito nada para acabar com aquele status quo.

Dias depois, o presidente da República na época, FHC, acompanhado de alguns ministros, resolveu lançar mais um “produto” no mercado político-eleitoral, que é o tal plano “antiviolência”. Num linguajar sonolento e irritante, falaram em bilhões de reais, novos métodos, contratração de policiais, construção de presídios etc. A frieza dos participantes, contrastava com as emoções vividas pelos brasileiros que haviam assistido ao vivo na TV, um bandido dar tiros para o ar, colocar o cano de sua arma na cabeça das vítimas, gritando que ia matar à todos, o rosto aterrorizado dos reféns, e para finalizar, o estúpido desfecho da tragédia, quando um policia militar matou a professora Geisa, e depois os seus colegas estrangularam o bandido dentro da ambulância.

A reunião dos executivos-políticos bem poderia ter sido feita à portas fechadas, como tantas outras o são, e depois distribuido um comunicado à nação. Hoje em dia, a demagogia é tentar fazer parecer que não se quer ser demagôgo.

Entretanto, o tal lançamento público do plano antiviolência, serviu para se constatar que os burocratas governamentais estão mais perdidos e sem comando do que o “batalhão de forças especiais” da PM do RJ. Para um bom observador, dava para perceber que todos os presentes estavam distante do problema, tanto no seu lado humano como administrativo.

Com a morte de Geisa, o govêrno FHC viria a descobrir depois de seis anos, que o ministério da justiça tratava de tudo, menos do combate à violência.

Hoje, em 08 de março de 2008, a situação continua a mesma.

O presidente Lula para lançar o PAC, e a candidatura da ministra Dilma Houssef à presidência da república em 2010, em tres favelas do Rio de Janeiro, precisou da proteção de 1.500 policiais da Tropa de Elite.



Minha querida Geisa, perdoe-nos.

Autor, Wilson Gordon Parker, é escritor

quinta-feira, 6 de março de 2008

BOLSA ILUSÃO


BOLSA EM FAMILIA

Comentário sobre a notícia:

O editorial do Globo - bolsa ilusão - nos fala sobre a nova ordem social dos tempos modernos. Isso já vem acontecendo há muitos anos. São as camadas sociais trocando de posição, se nivelando, num movimento que passa despercebido aos escravos da objetividade.

Os governantes fazem um bom caixa com a arecadação de impostos, um excelente superavit e manipulam corretamente as estatisticas que tratam da miséria e da fome.

Ao longo do governo Lula, nem todos conseguiram perceber uma coisa óbvia que vem acontecendo: a socialização por baixo. Dentro de pouco tempo, 60% da sociedade brasileira estará recebendo um "bolsa ilusão" de qualquer tipo.

Estará aberto o caminho para a não mais ilusória presidência eterna.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)


O GLOBO

EDIÇÃO DO DIA 06.03.2008

EDITORIAL
- Página 6


Bolsa ilusão

Há uma cena no curta-metragem “Entreatos” — o registro dos bastidores da campanha eleitoral do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, do cineasta João Moreira Salles — em que o futuro presidente, numa conversa sobre estatísticas com Gilberto Carvalho, que continuaria seu assessor próximo no Planalto, compartilha uma suspeita: “Quantas pessoas passam fome neste país, Gilberto? Eu acho o número de 53 milhões tão absurdo!” Ao chegar ao poder, porém, Lula deixou de lado as dúvidas e montou um programa assistencialista, o Bolsa Família, que atende 44 milhões de brasileiros, ao custo de quase R$ 11 bilhões apenas este ano. E ele tinha razão em desconfiar daquele dado. O Brasil certamente não seria como é hoje se existissem 53 milhões de famélicos, uma tragédia de enorme poder de desestabilização do próprio sistema político.

A mais recente prova de que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva estava certo consta do artigo de Ali Kamel publicado terça-feira no GLOBO. Ao consultar a página do Ministério do Desenvolvimento Social na internet, o articulista encontrou estudos acadêmicos sobre como o Bolsa Família tem equipado a residência de beneficiários com variados eletrodomésticos.

Fica evidente, pela lógica, que boa parte do dinheiro do Bolsa Família não está mesmo sendo usada para acabar com a fome de miseráveis. Pela simples razão de que eles são bem menos que os 44 milhões assistidos pelo programa, como já ficou evidente em algumas pesquisas. Uma delas, a de Orçamento Familiar (POF), uma extensa investigação de campo do IBGE.

As pessoas foram pesadas, medidas, e o IBGE não encontrou a fome alardeada.

Se o objetivo central do Bolsa Família fosse de fato erradicar a fome, ele custaria bem menos ao contribuinte, e o governo contaria com recursos para fazer a revolução que o país necessita com urgência na educação básica. A única capaz de acabar com a miséria de forma definitiva, por ela acontecer por meio da ascensão social do próprio cidadão, sem que ele se torne prisioneiro de esmolas do Estado e dependente de currais de votos. Infelizmente, por ter provado o sabor do retorno eleitoral do Bolsa Família, não será este governo que contestará estatísticas fantasiosas sobre a situação social do Brasil.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Bush apóia Colômbia e ataca Chávez


CHARGE - Rebelde com causa

Comentário sobre a notícia:

Publicado no JORNAL DO BRASIL em 07 de março de 2008

A história nos conta que a FARC, em 1964, começou como um movimento político. Cercados por todos os lados, para poderem sobreviver, fizeram uma sociedade com os narcotraficantes.

Obviamente, se transformaram numa organização criminosa.

Tal qual existe no Rio de Janeiro, as autoridades constituidas da Colômbia, estimularam o surgimento de grupos paramilitares, denonimnados "milicias", que iriam combater sem qualquer restrição de ordem legal, e moral, os membros da FARC e os narcotraficantes.

O que a maioria das pessoas no mundo inteiro procura perceber nesse imbróglio cheio de mentiras e crueldades, é onde está a linha ética que separa a FARC do chefão assassinado Raúl Reyes, dos outros chefões envolvidos nessa história maquiavélica, como Álvaro Uribe, George W. Bush, Hugo Chávez, Luiz Inácio Lula da Silva, Rafael Correa, Evo Morales, Nicolas Sarkozy, e outros que irão surgir.


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)


JORNAIS EM 05 DE MARÇO DE 2008

JORNAL DO BRASIL

A Colômbia vai justificar o ataque contra a guerrilha das Farc com as mesmas resoluções da ONU que permitiram aos Estados Unidos invadirem o Afeganistão para combater a Al Qaeda. A medida abre precedente, ainda, para que o governo colombiano leve o líder venezuelano, Hugo Chávez, ao Tribunal Internacional de Haia "por patrocinar e financiar genocidas". A fronteira entre os dois países está fechada. (Págs. 1, Internacional A21)

FOLHA DE SÃO PAULO

Bush apóia Colômbia e ataca Chávez

Criticado na América do Sul por ter invadido o território do Equadorna operação em que foi morto o número 2 das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, no sábado, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, recebeu ontem o apoio do seu principal aliado no continente, o americano George W. Bush. No seu primeiro pronunciamento oficial sobre a crise regional desencadeada pela operação, Bush declarou "completo apoio" a Uribe, frente ao que chamou de "manobras provocadoras" do presidente da Venezuela, Hugo Chávez -que no domingo anunciou o envio de tropas para a fronteira com a Colômbia e advertiu Bogotá de que haveria guerra se o mesmo acontecesse em território venezuelano. Bush disse que os Estados Unidos"se opõem a qualquer ato de agressão que possa servir para desestabilizar a região andina". "A mensagem de nosso país ao presidente Uribe e ao povo colombiano é que estamos do lado de nosso aliado democrático", declarou o presidente dos EUA, agradecendo Uribe por "sua forte liderança na luta contra as Farc". Como mostra de apoio à Colômbia, ele pediu ao Congresso para aprovar o Tratado de Livre Comércio (TLC) entre os dois países, assinado em 2006 e nunca ratificado. Segundo Bush, a não aprovação do acordo daria" asas aos demagogos". As declarações do presidente americano foram feitas após uma conversa telefônica com Uribe, no início da tarde. (Página 1)

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse ontem, em Brasília, que o país foi agredido por um "governo canalha" e impôs três condições para retomar o diálogo com a Colômbia. Ele se encontra hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Correa impôs três condições para retomar o diálogo: um pedido de desculpas da Colômbia sem atenuantes, garantias consistentes de que ataques em território equatoriano não voltarão a acontecer e que os colombianos reconheçam que as informações que dizem ter pego de computadores recuperados das Farc são fruto de uma montagem. "Minha pátria foi agredida por um governo canalha", disse. Questionado sobre os riscos de uma guerra, Correa disse: "Qual o conceito de guerra se isso não é uma agressão bélica, o que é?" E completou: "Já estamos em um tempo bélico". (Página 1)

Não havia caças russos Sukhoy cruzando o ar nem tanques de guerra e muito menos soldados cavando trincheiras. Mas uma série de retaliações econômicas adotadas pela Venezuela praticamente paralisou ontem a tradicionalmente congestionada fronteira com a Colômbia na região de San Antonio e Cúcuta, em meio a temores de que o governo Hugo Chávez proibirá totalmente o trânsito entre os dois países. Nos últimos dois dias, o governo venezuelano tem adotado uma espécie de tática de guerrilha na fronteira. Na principal medida, em vigor desde anteontem, o Seniat (equivalente venezuelano da Receita Federal) vetou a entrada de caminhões colombianos no país-só em San Antonio, a passagem mais movimentada entre os dois países, o fluxo diário é de cerca de 200 veículos. Veículos de passeio e motos não estão proibidos, mas ontem a fronteira do lado venezuelano foi fechada completamente em duas ocasiões, por cerca de 30 minutos cada uma. Já os pedestres puderam circular livremente. (Página 1)

Marcelo Leite - Arautos da Razão também usaram argumentos de qualidade sofrível. (Página 1)

O ESTADO DE SÃO PAULO

Colômbia alega na OEA que agiu contra o terror

O governo colombiano usou ontem o argumento de guerra ao terror para justificar o bombardeio a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano.

Durante reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA), representante da Colômbia citou as mesmas resoluções da ONU utilizadas pelos Estados Unidos para tentar legitimar a ofensiva contra o Afeganistão depois dos ataques do 11 de setembro. O presidente do Equador, Rafael Correa, chegou ontem ao Brasil em busca de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o presidente Hugo Chávez fechou a fronteira da Venezuela com a Colômbia e enviou 10 mil soldados para a região. (Págs. 1, A12 e A14)

O governo francês afirmou ontem que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sabia que o guerrilheiro Raúl Reyes estava negociando a libertação de 41 reféns políticos das Farc, entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt. Morto pelo exército colombiano, Reyes seria intermediário de eventual encontro do presidente da França, Nicolas Sarkozy, com dirigentes das Farc. O ministro da Justiça do Equador, Gustavo Jalkh, confirmou que participava das negociações. (Págs. 1 e A12)

O GLOBO

Venezuela fecha fronteira; Uribe vai processar Chávez em Haia

Em reação às denúncias de ligações de seu governo com as Farc, o presidente Chávez mandou fechar as fronteiras com a Colômbia, sua principal parceira comercial no continente, e mobilizou mais tropas. O presidente Uribe anunciou que processará Chávez no tribunal internacional de Haia, por "patrocínio e financiamento de genocidas". O Equador exortou a OEA a condenar o governo Uribe. A Colômbia pediu desculpas, mas reafirmou as acusações. (Págs. 1, 28 a 30, Miriam Leitão, editorial "Ponto de ebulição" e Cartas dos Leitores)

O residente do Equador, Rafael Correa, ouvirá do presidente Lula, hoje, que a crise não pode ser solucionada com ataques verbais ou medidas unilaterais. (Págs. 1 e 29)

CORREIO BRAZILIENSE

O presidente Álvaro Uribe anunciou ontem que denunciará o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao Tribunal Penal Internacional, sob acusação de patrocinar e financiar as Farc, grupo terrorista que luta para derrubar o governo da Colômbia. Localizada na cidade holandesa de Haia, a corte penal foi criada para julgar acusados de cometer crimes contra a humanidade. Segundo Uribe, a prova de que Chávez teria dado US$ 300 milhões às Farc estaria em computador confiscado de guerrilheiros mortos no sábado por tropas colombianas em território do Equador. A violação da fronteira foi o e crise, que ameaça agora desaguar numa guerra regional. (págs. 1 e Tema do Dia, páginas 20 a 33)

O presidente do Equador, Rafael Correa, chegou a Brasília às 21h30. rejeitou o pedido de desculpas da Colômbia e considerou um "massacre de guerrilheiros" o ataque às Farc. "Minha pátria foi agredida por um governo canalha", disse. "Vocês (o Brasil) já estariam em guerra." (págs. 1 e Tema do Dia, página 20)

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segunda-feira, 3 de março de 2008

CATADOR DE LATAS NOS TEMPOS MODERNOS


VIDEO:Sim, também a parte social, vista pelos olhos do cameraman. Enquanto a turma se divertia, os catadores, recolhiam latas, recicláveis, para sua subsistência. Nestes tempos modernos o carnaval não é pra todos.

Publicado no JORNAL DO BRASIL em 04 de março de 2008

Comentário sobre a crônica de Maria Lucia Dahl, "Os tempos modernos"

O que a maravilhosa Maria Lucia Dahl nos conta em sua crônica nada mais é do que a nova ordem social dos tempos modernos. Aliás, isso já vem acontecendo há muitos anos. São as camadas sociais trocando de posição, se nivelando, num movimento que passa despercebido aos escravos da objetividade.

Ao longo dos anos, nem todos conseguiram perceber uma coisa óbvia que vem acontecendo na sociedade: a socialização por baixo. Ninguém consegue ficar mais rico adquirindo cultura ou trabalhando honestamente.

A grande pergunta que a juventude faz é: como se fica rico aqui no Brasil?

É só fazer uma rápida pesquisa na internet, e procurar no site da Wikipédia, que é uma enciclopédia livre, o seguinte assunto: lista de escândalos políticos no Brasil. Vamos tomar conhecimento de todas as grandes roubalheiras desde 1970.

Neste site vamos poder confirmar que todos os ladrões do dinheiro público estão livres, ou morreram gastando muito bem as fortunas roubadas.

A grosso modo, o que estou tentando dizer é que os honestos aqui no Brasil vão todos acabar catando as latinhas que sobram das festas dos que ainda podem comprar latinhas.

E é bom catar logo, porque a cada dia que passa irá diminuir o número de festas, e, consequentemente, o de latinhas.

Resumindo, se você não pretende entrar para a política partidária porque é honesto de carteirinha, estudou muito e não sabe o que fazer com os seus conhecimentos, aconselho logo a procurar um quarteirão com um lixo rico em latinhas.

De qualquer forma, fique atento, porque é quase certo que meses antes da eleição de 2010 seja criado o "bolsa-latinha".


WILSON GORDON PARKER
wgparker@oi.com.br
Nova Friburgo (RJ)


JORNAL DO BRASIL 03 de março de 2008

Os tempos modernos

Maria Lucia Dahl


Ontem encontrei um casal, irmã e irmão, este último, gay, negros e sujos, catando latinhas nos lixos. Como estivessem perto da minha casa, onde um dia antes meus jovens vizinhos tinham dado uma festa de arromba, imaginei que o lixo reciclável deles estivesse tinindo de latas de cerveja e refrigerante. Convidei os catadores espontâneos para virem até o meu portão, para que eu lhes entregasse o tesouro. Enquanto fomos andando, a moça, pequenininha como a Daiane, com um bustiê e saia abaixo do umbigo, me perguntou, de repente:
- Você conhece Zurique?
Estava distraída e, diante de indagação tão inesperada, vinda da parte da moça que recolhia latas, me atrapalhei e perguntei:
- Se eu conheço a Alemanha?
- Não - corrigiu a moça. - Zurique é na Suíça.
- Conheço - afirmei.
- Você gosta de lá? - quis saber ela.
- Não especialmente, mas gosto da Suíça.
- Eu detesto - decretou ela.
Cada vez mais surpresa com o inusitado da conversação, perguntei se ela havia estado lá, ao que a moça respondeu que sim. Concluí então que, assim como outras mulheres, ela teria ido para a Europa se prostituir, e quis saber:
- Você teve problemas com o visto?
- Não - respondeu ela. - Fui eu que quis voltar. Não tive problema nenhum com a papelada, mas não gostei daquele lugar gelado, onde ninguém toma banho e ainda por cima bebem uísque no café da manhã.
Achei então que ela preferia catar latinhas no lixo, no que não lhe tiro a razão. Além das latinhas, lhe dei uns trocados e ela se foi com seu irmão, desejando que eu ficasse com Deus.
Então passou um travesti conhecido aqui da rua, de saia comprida, salto alto, colar e brincos, e me perguntou, com uma voz de barítono, se eu sabia onde se podia comer um cachorro-quente ali perto. Meu neto me perguntou por que aquela mulher falava tão grosso... Respondi que não era mulher, mas um homem que gosta de se vestir como uma. Meu neto ficou encucado, na certa, se perguntando por quê.
As coisas estão ficando engraçadas... A mendiga fala de Zurique como se fosse de um subúrbio carioca; minha empregada vem trabalhar de carro, enquanto eu continuo sem, desde que roubaram o meu; meu amigo pega ônibus na frente do Country, enquanto os garçons passam de automóvel dando adeus. Ligo a televisão à noite e só encontro casais gays. Romeu e Julieta não existem mais ou não freqüentam os Telecines. O que vejo são Romeus com Romeus e Julietas com Julietas e até um pobre rapaz que descobre que a mãe não é mãe, mas pai, pois, assim como o travesti que passou por mim e meu neto, sua mãe era um homem operado.
Meu pedreiro largou o trabalho no meio para fazer samba no botequim porque andou meio nervoso com o fim dos antidepressivos, "e para curar a angústia, só mesmo o samba", que ele compõe e me pede para levar para a Ana Maria Braga, enquanto o emboço da minha parede cai.
Um ladrão foge pelos telhados das casas da minha rua e imediatamente causa um tiroteio entre os moradores, que atiram para cima enquanto o homem, desarmado, pede socorro.
Elogio a reforma de uma casa antiga ao lado do veterinário dos meus gatos e o dono me diz que foi obrigado a obedecer ao tombamento estabelecido por lei, mas que achava horrível.
- Lá dentro derrubei tudo e a casa parece uma limousine reluzente, mas, por fora, um Ford Bigode...
Fico pensando que tudo estaria perfeito. Um mundo rico, onde os empregados têm carro e onde o preconceito não existe mais. Tudo o que desejávamos quando virávamos a mesa nos anos 60. Só acho um pouco estranha essa inversão radical dos costumes. Será que não dá para todo mundo se dar bem? Todo mundo ter carro? Pedreiro fazer samba, Romeu casar com Romeu, mas também com Julieta?

[ 03/03/2008 ]