.

sexta-feira, 7 de março de 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Ato pela paz no Jardim Botânico, Rio, relembra Geísa Firmo Gonçalves, morta por sequestrador de ônibus.

No dia 12 de junho de 2000, fiquei muito triste com a morte de Geisa Firmo Gonçalves. Na época, eu nem desconfiava da sua existência.

Nesse 08 de março de 2008, Dia Internacional da Mulher, eu sempre lembro de mulheres que nunca conheci pessoalmente, mas que ficaram marcadas para sempre na minha memória.

Quando ví, e ouvi, o nome de Geisa pela primeria vez, ela estava á caminho da morte, servindo de escudo para um psicopata, numa transmissão ao vivo da TV.

Geisa, havia deixado o interior do Ceará para tentar a vida no Rio, ao lado do marido Alexandre Magno de Macedo Oliveira, de 22 anos, que trabalha como tratador de cavalos no Jockey Clube do Rio. O casal morava na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul da cidade. Segundo os vizinhos, Geisa optou por morar ali para ficar mais perto do trabalho. Ela nunca teve medo da violência da cidade, comentou a colega Márcia Maria Silvestre.Há oito meses Geisa trabalhava com crianças de 6 a 14 anos. Seu salário era de R$ 300,00.


Foto de Geisa no trabalho

Quem a matou foi um policia militar. O atirador fazia parte de uma "Tropa de Elite", que tem o nome de “força de operações especiais”. Foi criada no tempo da ditadura Vargas, e aperfeiçoada pelos militares que fizeram a quartelada de 1964, para combater estudantes, trabalhadores e o povo em geral, impedindo que eles saissem às ruas, e clamassem por liberdade.

Essa "Tropa de Elite" é basicamente instruída para matar no momento certo. Seus componentes são treinados para fuzilar algums marginais, sem matar incoentes. Estão sempre em busca da perfeição. Uma adrenalina mortal fervilha nos seus cérebros, enquanto uma saliva sêca escorre de suas bocas. Olhos frios, estão sempre procurando alguém que mereça ser morto.


A vítima, deveria ser sempre um marginal da sociedade, localizado na banda podre da sociedade, e esteja pondo em risco alguém que está na banda boa. Quando o fato surge, cruel e real, não adianta pensar porque um está no lado bom e o outro no ruim. O problema já deveria ter sido pensado, e encarado de frente, há mais ou menos uns cinquenta anos atrás.

No entanto, os governantes transferiram a solução da questão para a policia militar. Transformaram os problemas sociais num caso de segurança pública.

Entregaram o problema para a "Tropa de Elite".

A morte de Geisa em 12 junho de 2000, quando estava num onibus da linha 174, que liga a Central do Brasil à favela da Rocinha, no Rio de janeiro, serviu para constatar que na famosa "Tropa de Elite" existem soldados despreparados para exercerem qualquer atividade relacionada à segurança pública.

Fornecer armas para certos policiais é incentivar a matança.

Parece um absurdo, mas um dos caminhos para se acabar com a violência aqui no Brasil, seria desarmar as nossas polícias militares.

Depois da trágica morte de Geisa, alguns “técnicos” em guerra urbana, ou que nome tenha as operações feitas pelas policias militares nas cidades, começaram a exigir armamentos mais modernos, alegando que uma inocente morreu porque eles não tinham armas adequadas para fuzilar o culpado.

Na época, alegavam que os policias não tinham rádios. Mas para que rádios?

Boca sêca e cabeça vazia, era o estado mental e emocional de todos eles.

Geisa foi enterrada lá no Ceará.

Jovem, cheia de vida e sonhos, morreu vitimada por uma série de absurdos, que acontecem em nossa sociedade há uma eternidade de anos. Os homens do poder, até a morte de Geisa, nunca haviam feito nada para acabar com aquele status quo.

Dias depois, o presidente da República na época, FHC, acompanhado de alguns ministros, resolveu lançar mais um “produto” no mercado político-eleitoral, que é o tal plano “antiviolência”. Num linguajar sonolento e irritante, falaram em bilhões de reais, novos métodos, contratração de policiais, construção de presídios etc. A frieza dos participantes, contrastava com as emoções vividas pelos brasileiros que haviam assistido ao vivo na TV, um bandido dar tiros para o ar, colocar o cano de sua arma na cabeça das vítimas, gritando que ia matar à todos, o rosto aterrorizado dos reféns, e para finalizar, o estúpido desfecho da tragédia, quando um policia militar matou a professora Geisa, e depois os seus colegas estrangularam o bandido dentro da ambulância.

A reunião dos executivos-políticos bem poderia ter sido feita à portas fechadas, como tantas outras o são, e depois distribuido um comunicado à nação. Hoje em dia, a demagogia é tentar fazer parecer que não se quer ser demagôgo.

Entretanto, o tal lançamento público do plano antiviolência, serviu para se constatar que os burocratas governamentais estão mais perdidos e sem comando do que o “batalhão de forças especiais” da PM do RJ. Para um bom observador, dava para perceber que todos os presentes estavam distante do problema, tanto no seu lado humano como administrativo.

Com a morte de Geisa, o govêrno FHC viria a descobrir depois de seis anos, que o ministério da justiça tratava de tudo, menos do combate à violência.

Hoje, em 08 de março de 2008, a situação continua a mesma.

O presidente Lula para lançar o PAC, e a candidatura da ministra Dilma Houssef à presidência da república em 2010, em tres favelas do Rio de Janeiro, precisou da proteção de 1.500 policiais da Tropa de Elite.



Minha querida Geisa, perdoe-nos.

Autor, Wilson Gordon Parker, é escritor